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PUC-SP - Auditório superior do Tuca recebe nome de Paulo Freire E-mail
Escrito por FRANCISCO JOSÉ SALDANHA GOMES   


Francisco José Saldanha GomesProfessor foi um dos maiores educadores do século 20


No próximo dia 25/2, Paulo Freire (1921-1997) recebe homenagem na PUC-SP, que passa a denominar o auditório superior do Tuca com o nome do educador. Na ocasião, acontece o evento Paulo Freire, Vive!, no auditório principal do teatro, a partir das 20h, com entrada franca.

Haverá uma aula magna com o reitor Dirceu de Mello e a professora Luiza Erundina. A apresentação será do professor Mario Sergio Cortella. O evento contará também com a participação de Dom Odilo Scherer, grão-chanceler da PUC-SP, de Ana Maria Freire, viúva de Paulo Freire e do Coral da PUC-SP, o Cuca.

Promovido pela Reitoria, Fundação São Paulo e Cátedra Paulo Freire (pós em Educação: Currículo), o evento é aberto.

A homenagem marca trinta anos de acolhida de Paulo Freire na PUC-SP, quando, em 1980, o educador voltou do exílio imposto pelo Regime Militar. Até 1997, ano em que faleceu, Freire deu aulas, pesquisou e orientou trabalhos no Pós em Educação: Currículo da PUC-SP.

Em 1998, foi instituída na Universidade a Cátedra Paulo Freire que, desde então, se caracteriza como um espaço para o desenvolvimento de pesquisas e estudos em pós-graduação sobre a obra de Paulo Freire e suas repercussões para a educação e áreas afins, dentro e fora do Brasil.

No ano passado, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu anistia política post mortem ao professor Paulo Freire. Aposentado compulsoriamente da cadeira de História e Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco pelo Ato Institucional Número 1, logo após o golpe militar de 1964, o educador foi preso por 70 dias em Olinda (PE) e, depois, exilado. Morou na Bolívia, no Chile e na Suíça e voltou ao país 16 anos depois, em 1980; começou nesse mesmo ano a lecionar na PUC-SP, onde trabalhou até seu falecimento, em 1997.


Saiba mais sobre Paulo Freire


Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife (PE), no dia 19 de setembro de 1921. Desde cedo conviveu com as dificuldades das classes populares no Nordeste. Freire é muito conhecido por ter criado um método de alfabetização de adultos. Porém, mais do que uma prática de alfabetização, desenvolveu uma pedagogia crítico-libertadora.

Em sua proposta, o ato de conhecimento tem como pressuposto fundamental a cultura do educando; não para cristalizá-la, mas como "ponto de partida" para que ele avance na leitura do mundo, compreendendo-se como sujeito da história.

Em sua primeira experiência, em 1963, Freire ensinou 300 adultos a ler e escrever em 45 dias. Esse método foi adotado em Pernambuco, um estado produtor de cana-de-açúcar.

O trabalho de Freire com os pobres, internacionalmente aclamado, teve início no final da década de 40 e continuou de forma ininterrupta até 1964. Nesse ano, com o golpe militar que derrubou o governo do Presidente João Goulart, Freire foi acusado de pregar o comunismo, sendo detido.

Os 16 anos de exílio foram períodos tumultuados e produtivos: uma estadia de cinco anos no Chile como consultor da Unesco; uma nomeação, em 1969, para trabalhar no Centro para Estudos de Desenvolvimento e Mudança Social da Universidade de Harvard; uma mudança para Genebra, na Suíça, em 1970, para trabalhar como consultor do Escritório de Educação do Conselho Mundial de Igrejas, onde desenvolveu programas de alfabetização para a Tanzânia e Guiné Bissau, que se concentravam na reafricanização de seus países; o desenvolvimento de programas de alfabetização em algumas ex-colônias portuguesas pós-revolucionárias como Angola e Moçambique; ajuda ao governo do Peru e da Nicarágua em suas campanhas de alfabetização...

Freire é dos mais significantes educadores do século 20. Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relação entre educadores e educandos. Caminho este que consolida uma proposta político-pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos do processo de construção do conhecimento mediados pelo mundo, visando a transformação social e construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.

Na América do Sul, Europa, África, América do Norte e Central, suas idéias revolucionaram o pensamento pedagógico universal, estimulando a prática educativa de movimentos e organizações de diversas naturezas. Três filosofias marcaram sucessivamente a obra de Paulo Freire: o existencialismo, a fenomenologia e o marxismo. Seu pensamento rompeu a relação cristalizadora de dominação, buscando pensar a realidade dentro do universo do educando, construindo a prática educacional considerando a linguagem e a história da coletividade elementos essenciais dessa prática.